18 setembro 2015

Aperta a Tecla • baseado em fatos reais

Imagem: Marina Ramos
"Lavínia tirou os fones de ouvido por alguns instantes. A professora de química havia milagrosamente deixado o horário livre. Olhou para o resto da turma. Perto da porta, algumas meninas formavam um pequeno círculo e conversavam sobre alguma coisa aleatoriamente engraçada. Saulo estava sentado logo atrás, lendo o terceiro livro daquele série que ele havia começado no início do ano. No fundão, Eduardo sussurrava sorrindo ao conversar com Daniela, sua nova namorada. Lavínia balançou a cabeça negativamente ao lembrar que havia gostado de Eduardo no início do ano. Torcia para que algum dos dois quebrasse a cara logo logo, mas alguns segundos depois reprimiu o pensamento.

Max estava com seu notebook, assistindo algum trecho daquele filme que havia sido lançado há algumas semanas. Perto dele, Vitor e Mateus aconselhavam um ao outro enquanto jogavam um daqueles joguinhos de corrida em que eram viciados. Marília era a única com o livro ainda aberto em química, tentando fazer os exercícios pra próxima aula. Na cadeira vazia ao lado dela, sentava Vívian, que havia saído para passar aquele momento milagroso na biblioteca. Em outro canto da sala, Gabriel estava de cabeça baixa, dormindo, como fazia em quase todas as aulas. Taís experimentava o novo batom líquido de Vanessa, que já estava preparando o celular para as selfies tradicionais. Na cadeira atrás de Lavínia estava Tomás, o garoto que ela conhecia desde o jardim de infância, mas com quem trocava apenas algumas poucas palavras se ele estivesse de bom humor.

Há alguns anos, lá pela época em que estava no Fundamental II, Lavínia ficaria extremamente magoada por não fazer parte de nenhum grupinho pra conversar naquele momento. Mas agora, com poucos meses para o fim do ensino médio, tudo bem. Ela entendia. Dali com pouco mais de 100 dias ela estaria pegando o boletim, desejando boas férias aos professores e se despedindo brevemente dos colegas de classe. Não via a hora de dar adeus. Adeus aos cálculos que ela não entedia, às datas que não conseguia decorar, à imaturidade de pessoas prestes a completar maioridade.

Por uns segundos pensou nas lágrimas derramadas por causa de Eduardo, e pela raiva que sentia quando Mateus, com alguma piada pra lá de sem graça, interrompia as explicações dos professores. Depois começou a lembrar de como Zé tentava a ajudar com os cálculos complicados, de como Marília a fazia gargalhar com suas dancinhas malucas, de como Vanessa lhe emprestava batons e a chamava para as selfies, de como Gabriel era legal de lhe mostrar aquela música que havia achado bacana. Sorriu ao perceber que talvez fosse sentir saudades de algumas pessoas, e até de alguns momentos. Lavínia colocou os fones de volta e terminou de ouvir Every Little Step, do Bobby Brown."

[Ficou boiando? Saiba mais sobre esse projeto incrível criado pela Marina Ramos]

4 comentários:

  1. Olívia ficou decepcionada por ter sido esquecida 8(

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    1. Olívia não foi esquecida! Minha ruivinha favorita está guardadinha pra algo bem especial!
      Um beijo ;*

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  2. Ótimo texto, Camila!
    Acho que todo mundo passa por isso, aquela vontade de sair do ensino médio. A gente acha que na faculdade vai ser tudo mais fácil, ou mais legal, estudar só o que gosta... Mas nunca acontece assim, né? Depois acaba se tornando mais uma fase que a gente só quer que acabe logo. Acho que nunca estamos contentes com o presente, sempre almejando o futuro :/

    Beijos,
    www.naestradadafantasia.com

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    1. Obrigada, Marina!
      É verdade, vai ver que nunca ficamos contentes com o presente por estarmos sempre preocupados com o futuro, e isso faz nossa vida se transformar em um ciclo vicioso e monótomo.
      Um beijo ;*

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