25 janeiro 2015

Me Amo Assim • como aprendi a me amar?

Vocês já sabem que introduções não são o meu forte, podemos pular essa parte? Não, né? Tá! A postagem de hoje é sobre um projeto bem legal que fez meus olhinhos brilharem assim que vi. Criado pela Simone e pela Carolina, a coisa toda tem o intuito de promover o amor próprio e incentivar nós, meninas com dificuldade em se aceitar, a exercitar o "ME AMO DO JEITO QUE EU SOU". Por meio de postagens coletivas mensais, o #meamoassim meio que 'desafia' uma auto-análise sobre quem somos. O tema de estreia é 'como aprendi a me amar?'. uma pergunta pequena que é bem difícil responder, porque muitas (como eu, acredito) não conseguem se amar 100%. Eu vou tentar responder, então, senta mana, que lá vem história.

Eu nunca fui boa de memória. Meus pais dizem que é porque eu fui uma criança muito quietinha, e deve ser por isso que não tenho tanta coisa pra contar da minha infância. Tudo que eu lembro é que eu usava óculos quando eu tinha uns 8 anos, mas não sofri bullying ou algo assim. Eu era uma criança normal, só usava óculos e tinha uns dentes encavalados que, bom... eram os dentes da frente. Comecei a usar aparelho estilo Darla (isso mesmo, aquela do Procurando Nemo), pra começar a alinhar meus dentes. Uma vez usei ele quando fui numa pracinha perto de casa, e quando dei por mim, praticamente todas as crianças daquele lugar estavam em minha volta, como se eu fosse algo de outro mundo. Lembro de um menino mais velho dizer que aquilo era feio e soltar uma risada junto com um pedido de desculpa, daí ouvi várias crianças numa só risada. Ri também, mas a verdade é que senti meu rosto esquentar. Tímida como era, devia ter ficado bem vermelha. Meu dentista sabia que não seria fácil pra mim usar aquilo em público, então disse pra usar enquanto dormia. Depois de uns anos, eu coloquei o aparelho fixo. e pra falar a verdade, eu nunca me senti mal com isso. Talvez eu fosse a primeira na escola a usar aparelho, mas ninguém me deu nenhum apelido ou algo assim. Nessa época eu parei de usar meus óculos, porque já estavam ficando pequenos em mim. Eu deveria ter feito outra consulta pra ter outro óculos, mas isso não aconteceu, talvez porque eu achasse que não precisava. Minha neura com meu cabelo começou ali, e quando fiz 13 anos o alisei, porque achava ele muito volumoso e cheio de frizz (o que nunca mudou). Me senti super bem. 

Deve ter sido nessa época, talvez antes, que ganhei meu primeiro batom. Não do tipo com aroma de frutas ou com gosto de morango. Era um batom vermelho da Avon. E por incrível que pareça, ganhei da minha mãe. Minhas primas diziam que ela era louca. Como assim dar um batom vermelho pra uma menina que não se cansa de errar cortando a própria franja? Mas eu gostava tanto dele que usava até pra ir pra escola. E foi aí que eu errei. Nunca vi nada de mais em uma menina da 7ª série usar um batom vermelho, principalmente se ela combinava com uma sombra azul. Uma vez a coordenadora da escola me chamou na sala dela. Eu pensei em tudo que fiz de errado. Eu nunca tinha tirado nota vermelha, ou brigado com outra menina, ou falado palavrão na sala de aula. 'Você usa pinturas muito exageradas!' (sim, ela disse pinturas ao invés de maquiagem). Mas o que isso tinha de errado? Só porque eu não era adulta ainda? Aquelas meninas do De repente 30 usavam, porque eu não podia? Era um questionamento bobo que eu decidi não fazer. Apenas parei. Pó compacto, sombra azul, batom vermelho... Ficavam na minha penteadeira de enfeite. O único lugar que eu ia era a escola, e era o único lugar que eu não podia usar maquiagem.

Até aí nada de mais, certo? Certo. Mas a tal da adolescência, o que obviamente não faz tanto tempo assim, não colaborava comigo. Eu comecei a ter espinhas. Muitas espinhas. Principalmente depois de tirar o aparelho e pensar que as coisas mudariam, como naqueles filmes bobos que se passam no colegial. E eu ainda conseguia ser mais boba que aqueles filmes. As pessoas paravam minha mãe na rua e perguntavam se ela já tinha tentado esse ou aquele remédio caseiro. Ela já tinha tentado. Todos. Nenhum mudou nadica de nada. 'É só uma fase', ela dizia, 'seu irmão também já teve'. Quando eu estava terminando a 8ª série eu fui afim de um menino, que me recusou provavelmente porque tinha medo do meu rosto, aliás, todos tinham medo do meu rosto. Eu ouvia coisas que não gostava pelos corredores, via as outras meninas se dando bem com os meninos, sem poder sentir o mesmo que elas. Tentava me fazer de forte, mas no meu quarto eu soluçava me debulhando em lágrimas. Meus pais nunca perceberam, eu acho. E seria bobagem se preocupar com os problemas de uma menininha de 14 anos. Completei 15 e nada mudou. Quer dizer, as coisas não melhoraram. Meu pai, que tem sempre o coração mais mole, finalmente me levou numa dermatologista. Minha acne era grave, e eu teria que usar Roacutan, que além de caro era forte. Nos primeiros meses meus lábios ressecaram muito, e eu vomitava em alguns dias. Sempre odiei vomitar, desde pequena. Quando eu parei de usar, meu rosto já havia melhorado muito. Me senti satisfeita, afinal esse era meu único problema até aí: ter espinhas. Pelo menos era o que eu achava.

Um belo dia meu pai levou minha mãe e eu pra uma consulta em um oftalmologista. Eu descobri que tenho estrabismo. O grau era pouco, mas se eu não cuidasse, talvez aumentaria a ponto de só ser resolvido com uma cirurgia. Comecei um  tipo de fisioterapia, que custava um pouco caro pro meu pai. Sempre diziam a ele que eu era uma menina de ouro. Eu custava caro, isso é verdade. 

Recomecei a usar óculos. A neura com meu cabelo voltou, e eu comecei a me sentir chateada  com o meu corpo. Não sou o tipo de magra corpão violão. Sou o tipo de magra que é magra. Além do meu IMC sempre estar baixo. 'Você só precisa ganhar um pouco mais de corpo', me disseram. Mas quem me daria isso além de mim?

Com o tempo a gente aprende que esse ciclo nunca acaba. Que os defeitos sempre aparecem, principalmente se você fica se comparando com a fulaninha de tal, porque ela sempre vai parecer melhor. Mas ó só: ela também tem algum defeito. Talvez sejam vários, e talvez sejam muito piores do que os seus. Mas ela sabe lidar com eles. Você tem que aprender a fazer o mesmo.

Veja outras meninas que também participam do projeto

6 comentários:

  1. amei a sua historia, e fala serio, que absurdo não pode usa maquiagem, ja eu não usava, e era zoada pelas garotas por isso ..
    beijoo
    www.lamoonier.blogspot.com.br

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    1. E não é, menina? E eu pensando que pela primeira vez tinha feito algo de errado. Mas sabe o que me indignava mais? O fato de ter meninas que usavam 'pinturas' muito mais exageradas, e só eu fui chamada lá. Mas esse projeto me fez rir um pouco quando lembrei dessas coisas, e me fez ver o quanto fui forte pra superar tudo isso.
      Um beijo ;*

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  2. Oii! Tudo bom? Tb tô participando do projetoo :D Tá sendo muito legal participar, né? Ameiii seu texto! bjooo http://www.polyannacardinot.blogspot.com

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    1. Que bom que você gostou, também estou amando participar desse projeto!
      Um beijo ;*

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  3. Muito bom seu post, eu também estou participando deste projeto e me identifiquei com você porque já tive muitas espinhas, e era horrível olhar no espelho. http://cantinho-da-ivony.blogspot.com.br/

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    1. Que bom que você gostou! Até hoje eu evito olhar no espelho, principalmente aqueles de shopping, em que a imagem parece mais detalhada. Mas estou tentando superar isso aos poucos.
      Um beijo ;*

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