19 dezembro 2014

As besteira que a gente faz, sente e escreve

Achei quando mudei de casa. Faz pouco mais de um ano, mas quando abri aquele diário com a faca, porque tinha obviamente perdido a chave como sempre faço, eu não sabia se eu ria ou se me enterrava com vergonha de alguém achar aquilo e ler.

Além dos textos que eu achava no tumblr, traduções de algumas músicas, citações de livros e etiquetas, como aquela cor-de-rosa que diz "a estrela da série Sam e Cat e Brilhante Victória em seu primeiro álbum", achei aquelas páginas que foram o começo de tudo. Me desculpem, mas arranquei e joguei no lixo depois de ler. A maioria tinha ao menos uma frase sobre aquele menino que eu gostava no começo do ensino médio. Eu era tão boba que comprei o diário justamente pra falar dele. Era dia de festa junina, e eu sabia que meus pais não deixariam eu ir. E sabia mais, sabia que no dia seguinte teria boatos e boatos sobre ele ter *ficado* com alguma das muitas meninas que achavam ele um gato na época. Sabia que no outro dia, ou até no mesmo dia, as fotos da galera estariam bombando no instagram e eu estaria lá, babando na tela. Acho que escrevi isso no dia.

Besteira, né? Mas é porque realmente, ele me encantava. Aqueles grandes olhos castanhos, aquele cabelo preto breu contrastando com aquela pele branca, aquele sorriso largo que me hipnotizava, aquelas palhaçadas que sempre me faziam rir... Era tudo uma grande besteira. Eu sabia que ele sabia que eu gostava dele, e que ele não dava a mínima pra mim, a menina que na época tinha sérios problemas de acne. Mas demorei pra desencanar e todo mundo sabia disso. Um dia eu paguei uma pizza pra galera, na esperança de ele ir, e ó só: ele não foi. Eu ficava horas vendo ele jogar bola, e achava a coisa mais linda ele todo sério.

Eu sorrio quando alguém toca nesse assunto, mas ainda fico morrendo de vergonha. Mas não é que o tempo passa? Ele continua o mesmo palhaço de antes e agora namora com uma amiga minha. Me trata super bem e até tira brincadeira comigo. Quem diria? Mas o fato é: mesmo fazendo pouco mais de um ano, percebo que as pessoas mudam. Todo mundo muda. Alguns pra melhor, outros pra pior... Tudo depende da pessoa. É ele que escolhe se quer ou não mudar, no que vai ou não se tornar. Tudo passa, tudo muda. Se não for hoje, vai ser amanhã. Se não for amanhã, pode ser depois. O negócio e que muda. E muda mesmo.

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