28 outubro 2014

Apego sentimental

Um dia desses, enquanto eu milagrosamente arrumava meu quarto, percebi algo surpreendente sobre mim: sofro de apego sentimental. Não sei se é uma doença ou algo do gênero, mas eu tenho. Encontrei um monte de coisa que eu sempre tive a plena certeza de que jamais precisaria de novo, e que talvez eu nem devesse ter mais.

Eis o maior e mais simples exemplo: meu All Star Chuck Taylor. Uso ele desde a 5ª série, o que significa que já faz um bom tempo. No meio da 8ª série, um dia qualquer, provavelmente com alguma aula vaga, lembro nitidamente de alguns dos meus amigos da época escreverem seus nomes naquele All Star desbotado que um dia já foi preto e rosa. E eu acabei me convencendo de que era isso que me impedia de mudar de tênis, as lembranças que eu tinha quando olhava pra ele e via o nome daqueles que não fazem mais parte da minha rotina. Entre uma gaveta e outra achei camisetas de eventos escolares de 2000 e bolinha, a época em que o 2º lugar era meio que tradição na nossa turma. Quando abri meus diários, além de muita coisa pra rir e sentir vergonha, achei alguma embalagem de bombom que alguém me deu por pura educação, mas que eu sempre deduzi como um "você é importante e por isso te dei um bombom". Bobo, né?

Okay. Talvez eu seja um pouco boba demais. Mas percebi que minhas lembranças não dependem de um objeto que pode se perder, ou ser jogado fora 'acidentalmente' pela minha mãe, na hora da mudança. E eu sei que eu tenho uma memória interna que funciona fora do meu telefone celular, e que consegue arquivar coisas sem nem precisar apertar alguma tecla. Alguns momentos se apagam, isso é fato. Mas sempre se apagam bem devagarzinho, isso quando apagam.

A gente passa a vida toda pensando em memorizar fórmulas de matemática ou a data que alguém completa mais um ano. Mas instantaneamente conseguimos lembrar de uma simples bobagem que nos fez rir ou alguma palavra que te fez sorrir o dia todo. Talvez essa seja a verdadeira felicidade.

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